Torturado quando bebê, morre vítima mais jovem da ditadura no Brasil

Torturado quando bebê, morre vítima mais jovem da ditadura no Brasil

Carlos Alexandre Azevedo pôs fim a sua vida no sábado (16), aos 40 anos. Ele foi a vítima mais jovem a ser submetida à violência por parte dos agentes da ditadura militar. Tinha apenas um ano e oito meses quando foi arrancado de sua casa e torturado na sede do Dops paulista

O técnico de computadores Carlos Alexandre Azevedo morreu no sábado (16/2), após ingerir uma quantidade excessiva de medicamentos. Ele sofria de depressão e apresentava quadro crônico de fobia social. Era filho do jornalista e doutor em Ciências Políticas Dermi Azevedo, que foi, entre outras atividades, repórter da Folha de S. Paulo.

Ao 40 anos, Carlos Azevedo pôs fim a uma vida atormentada, dois meses após seu pai ter publicado um livro de memórias no qual relata sua participação na resistência contra a ditadura militar. ‘Travessias torturadas’ é o título do livro, e bem poderia ser também o título de um desses obituários em estilo literário que a Folha de S.Paulo costuma publicar.

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Carlos Alexandre Azevedo foi provavelmente a vítima mais jovem a ser submetida a violência por parte dos agentes da ditadura. Ele tinha apenas um ano e oito meses quando foi arrancado de sua casa e torturado na sede do Dops paulista. Foi submetido a choques elétricos e outros sofrimentos. Seus pais, Dermi e a pedagoga Darcy Andozia Azevedo, eram acusados de dar guarida a militantes de esquerda, principalmente aos integrantes da ala progressista da igreja católica.

Dermi já estava preso na madrugada do dia 14 de janeiro de 1974, quando a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury chegou à casa onde Darcy estava abrigada, em São Bernardo do Campo, levando o bebê, que havia sido retirado da residência da família. Ela havia saído em busca de ajuda para libertar o marido. Os policiais derrubaram a porta e um deles, irritado com o choro do menino, que ainda não havia sido alimentado, atirou-o ao chão, provocando ferimentos em sua cabeça.

Com a prisão de Darcy, também o bebê foi levado ao Dops, onde chegou a ser torturado com pancadas e choques elétricos.

Depois de ganhar a liberdade, a família mudou várias vezes de cidade, em busca de um recomeço. Dermi e Darcy conseguiram retomar a vida e tiveram outros três filhos, mas Carlos Alexandre nunca se recuperou. Aos 37 anos, teve reconhecida sua condição de vítima da ditadura e recebeu uma indenização, mas nunca pôde trabalhar regularmente.

Aprendeu a lidar com computadores, mas vivia atormentado pelo trauma. Ainda menino, segundo relato da família, sofria alucinações nas quais ouvia o som dos trens que trafegavam na linha ferroviária atrás da sede do Dops.

Para não esquecer

O jornalista Dermi Azevedo poderia ser lembrado pelas redações dos jornais no meio das especulações sobre a renúncia do papa Bento 16. Ele é especialista em Relações Internacionais, autor de um estudo sobre a política externa do Vaticano, e doutor em Ciência Política com uma tese sobre igreja e democracia.

Publicado originalmente no site Pragmatismo Político.

Liberdade religiosa uma das maiores contribuições da esquerda brasileira para a humanidade

A democracia brasileira é uma árvore e seus galhos agora começam a dar frutos e flores. Mas ela ainda precisa de cuidados e ser protegida.

Durante o primeiro turno de 2014 todos os candidatos foram testados nas mídias e alguns até conseguiram destacar umas propostas, faça um esforço e tente se lembrar de alguma antes de acusar os candidatos de vazios. Com o segundo turno a tarefa é negociar apoios, rever ideias, tudo isso para somar os votos dos antigos adversários. Não tem jeito, o nosso modelo de presidencialismo de coalização impõe essa dinâmica. Alguns bobos tentam vulgarizar o debate afirmando que a reforma Política se resume a quantidade de partidos, ou de candidatos. Que nada, o problema são os eternos analfabetos políticos. Graças a eles os espertos governam e os ladrões se reproduzem.

Os representantes políticos que pregavam ou pactuavam com a intolerância religiosa, o dogmatismo sectário, o discurso do ódio, a cura religiosa a pedradas, o aparelhamento do Estado para fazer o combate fascista aos direitos humanos, a perseguição física covarde e histérica aos gays, ficaram sem suas representações políticas no Poder executivo.

Isso é alentador. O Brasil volta a respirar. É bom que se diga que os candidatos defensores da vida, da liberdade religiosa, individualidade sexual tiveram a mesma votação que os neoconservadores, que de neo não tem nada. Ou seja, as urnas também deram seu recado para estas figuras escatológicas, vocês são fortes e nós também somos e não ficaremos mais calados diante de assassinatos e covardias estimulados por homofóbicos.

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Dilma e Aécio tem formação cosmopolita, ambos montaram uma coalizão de partidos ampla, suas famílias são formadas por pessoas de classe média, suas coordenações políticas têm pessoas progressistas e tem militantes sociais apoiando suas ideias. Resumindo, os políticos da ultra direita usam os discursos raivosos como fachada para pedirem silenciosamente cargos na Infraero e Loterias, ao negociarem com os dois candidatos até podem conseguir espaços no próximo governo, mas terão que entrar pela porta dos fundos do Palácio do Planalto.

É, perderam.

Graças as discussões acaloradas, debates, o povo fica sabendo quem é quem e as mascaras caem, os mitos se desfazem. Negociar politicamente em bom nível é pactuar uma agenda consensual para o país. Isso é bom.  Bom para nós e bom para a democracia. Já aconteceu antes em nossa história.

Em 1946 logo após o fim da segunda guerra mundial em que os nazifascistas foram derrotados, foi reformada a nossa Constituição, os comunistas, os nacionalistas, os socialistas e oficiais democratas das forças armadas se uniram e aprovaram uma agenda desenvolvimento para o país, o governo não permitia qualquer religião ou manifestação cultural que não fosse a católica, as demais como os macumbeiros, evangélicos, espíritas, ciganos, capoeiristas, eram reprimidos pela Polícia.

 

Jorge AmadoUm deputado ateu e umbandista mudou essa história. Além de suas obras literárias Jorge Amado deixou um legado para o Brasil, a lei de liberdade religiosa tornando o Brasil um país tolerante com todas as formas e manifestações religiosas. Em 1946 Jorge Amado foi eleito deputado Federal pelo Partido Comunista do Brasil com 15.315 votos, foi o autor da lei que garante a liberdade religiosa no Brasil.

Ogum  Liberdade religiosa, uma das maiores contribuições da esquerda brasileira

Todas essas liberdades democráticas foram aprovadas politicamente e mudaram o Brasil para melhor. Hoje o Brasil é um país aonde muçulmanos, judeus, Budistas, católicos, protestantes convivem com os mesmos direitos de pensamento, culto e prática religiosa, graças à lei.

A nossa tolerância religiosa existe há quase um século graças ao Estado Laico e não ao Estado religiosos teocrático imposto.

Chegamos ao segundo turno. Outra eleição literalmente.

Para não dizer que não falei de flores reproduzo uma sequencia de boas opiniões.

“Preocupada com algumas declarações que fazem parecerem menores as questões relacionadas aos direitos humanos e das minorias, no contexto da eleição presidencial. Tudo que diga respeito aos direitos humanos e das minorias não é uma questão menor no contexto eleitoral, pois sua discussão se relaciona à concepção do Estado democrático de direito. E me preocupa ainda mais a banalização do não enfrentamento da proibição do casamento entre indivíduos do mesmo sexo. Essa questão, acima de todas, deve ser debatida e posicionada com clareza pelas candidaturas, pois está relacionada à concepção de Estado laico, que, definitivamente, não é uma questão menor…” Carla Conde, Professora de biologia,  Socialista roxa e espiritualista colorida.

“Tenho muitas críticas ao governo do PT, da Dilma, no que diz respeito à Reforma Agrária, aos direitos das minorias, à política econômica, que são públicas. Mas não admito a possibilidade de um retrocesso que eu entendo que possa haver com um governo tucano. Independente do que o partido vier a decidir, eu vou votar na Dilma no segundo turno”. Marcelo Freixo, professor de História, Presidente da CPI das Milícias, Homem com H maiúsculo e Deputado Estadual mais votado do RJ.

“Freixo é uma pessoa, não um fetiche partidário. Fez bem em declarar logo seu voto – como fizeram, aliás, os eleitores do PSOL – antes que sectários queiram enquadra-lo. Marcelo é um militante que honra ser de esquerda não precisa se colocar a venda. Quem demora muito nessas horas para se posicionar é que está negociando o passe. Freixo não precisa disso”. Sol, Produtora Cultural e socialista morena.

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Para mim, Dilma continua sendo uma brasileira corajosa e agora mais madura.

Ébola – Omissão dos governos matam os profissionais de saúde

Médica que tratou 1º caso de ebola na Nigéria pagou com a própria vida

A médica Ameyo Stella Adadevoh cuidou do primeiro caso de ebola na Nigéria; ela foi infectada pelo vírus e acabou morrendo (Foto: Reprodução/Facebook/ Dr. Ameyo Stella Adadevoh Health Trust)

Ameyo Stella Adadevoh

Filha de um físico e neta de um político considerado um dos fundadores do nacionalismo nigeriano, Adadevoh diagnosticou o primeiro caso de ebola naNigériana atual epidemia, o do diplomata liberiano-americano Patrick Sawyer.

No dia 20 de julho, Sawyer passou mal durante o voo que o levava da Libéria para Lagos, no principal aeroporto internacional nigeriano e no carro que o levou ao First Consultant Hospital, onde foi internado.

Como a Nigéria estava mal preparada e não tinha procedimentos de triagem no local, Sawyer infectou várias pessoas, incluindo nove profissionais de saúde do hospital para onde foi levado, por falta de equipamento de proteção adequado. Adadevoh foi uma das infectadas e acabou morrendo mais tarde.

No hospital, Sawyer negou qualquer contato com outro paciente de ebola e uma análise clínica concluiu que ele tinha malária. Como não respondeu bem ao tratamento e começou a desenvolver sintomas hemorrágicos, Adadevoh e a equipe médica resolveram testá-lo para ebola.

Depois de 24 horas, o resultado deu positivo e Adadevoh, que era endocrinologista, se viu obrigada a impedir a propagação do vírus, apesar de não haver nenhuma ala de isolamento adequada em toda a Nigéria.

De acordo com o jornal “The Guardian”, a médica era conhecida no hospital por dar medicação de graça para aqueles que não podiam pagar.
Diante do caso de Sawyer, ela organizou a desinfecção do hospital e promoveu uma campanha de conscientização sobre a doença. Em seis dias, a equipe médica conseguiu montar uma unidade de isolamento de pacientes, sem ajuda do governo.

No entanto, Sawyer fazia de tudo para sair do hospital. Ele se tornou agressivo e chegou a jogar sangue na equipe médica, segundo a BBC. Adadevoh, chamada de “médica heroína” pela rede britânica, teve de se manter firme.

Ela também enfrentou autoridades da Libéria, negando a pressão que fizeram para que Sawyer saísse do hospital para participar de uma conferência. A médica foi uma das poucas que tratou o paciente na unidade de isolamento, enquanto outros profissionais da saúde se recusavam a trabalhar no caso.

Em agosto, poucos dias depois da morte de Sawyer, a médica apresentou os primeiros sintomas da doença e entrou para a ala de isolamento que ela mesma montou, desta vez como paciente infectada por ebola. Ela morreu depois de onze dias. Outros três profissionais de saúde que trataram de Sawyer também morreram.
“Ao identificar o primeiro paciente, ela realmente ajudou a Nigéria a estar preparada para rastrear todo mundo e estabelecer uma diferença entre nós e nossos vizinhos africanos, como a Guiné, Libéria e Serra Leoa”, disse seu filho, Bankole Cardosa, à BBC.

“A parte mais triste é que ela ficou aqui na Nigéria para trabalhar em um centro médico que as pessoas pudessem confiar. Se alguma coisa pode ser tirada disso, tudo o que queremos é uma melhora no sistema de saúde na Nigéria, especialmente o público”, afirmou ao “The Guardian”.

Uma fundação com o nome da médica foi criada para continuar seu legado e ajudar o setor de saúde da Nigeria.

A Nigéria, que é o país mais populoso da África, teve 20 pessoas contaminadas por ebola, das quais oito morreram. O ebola já matou 4.546 pessoas na Libéria, Guiné e Serra Leoa, os três países mais afetados.

O primeiro paciente de ebola na Nigéria, Patrick Sawyer, foi tratado no First Consultant Hospital, em Lagos.  Site G1.com.br

Cinismo da OMS- declara Nigéria livre do ebola

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Após 42 dias sem novo caso, OMS declara Nigéria livre do ebola

Surto matou oito pessoas em 20 casos no país.

O governo Nigeriano monta uma cena no aeroporto, “tira temperatura de  passageiros” igualzinho os secretários de saúde e políticos populistas fazem aqui no Brasil quando tiram  pressão da população humilde nas ruas, simulam estar cuidando do povo com medidas teatrais, enquanto as unidades de saúde definham  com os esforços pessoais  dos profissionais de saúde.

Vamos ler como a demagogia esta sendo veiculada e depois conhecer a história por trás desta primeira contenção.

A demagogia:

A Organização Mundial da Saúde declarou nesta segunda-feira (20) a Nigéria livre do ebola, 42 dias após o país não registrar nenhum novo caso da doença. “A Nigéria está livre do ebola”, disse Rui Gama Vaz, representante da OMS em uma entrevista coletiva para a imprensa na capital, Abuja.

“Esta é uma espetacular história de sucesso… Isso mostra que o ebola pode ser contido, mas é preciso ficar claro que nós só ganhamos uma batalha. A guerra só vai acabar quando a África Ocidental também for declarada livre de ebola”, acrescentou, segundo a Reuters.

O primeiro caso na Nigéria, país mais populoso da África, foi importado da Libéria, quando um diplomata liberiano-americano chamado Patrick Sawyer passou mal no principal aeroporto internacional de Lagos, em 20 de julho.

Como o país estava mal preparado e não tinha procedimentos de triagem no local, Sawyer infectou várias pessoas, incluindo vários profissionais de saúde do hospital para onde foi levado, o qual não tinha equipamento de proteção adequado.

Na última quarta-feira, o Ministério da Saúde do país havia declarado que não havia mais pessoas infectadas com o vírus mantidas em observação. “Ninguém está sob supervisão pelo vírus ebola em qualquer parte da Nigéria. Todos os que estão sob observação cumpriram o período de 21 dias estipulado pela OMS”, disse um porta-voz do ministério.

O ebola já matou 4.546 pessoas na Libéria, Guiné e Serra Leoa, os três países mais afetados. A Nigéria teve 20 pessoas contaminadas, das quais oito morreram.

 

Ebola é muito mais do que uma crise de saúde

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Ebola é muito mais do que uma crise de saúde.

O primeiro caso suspeito de ebola no Brasil não se confirmou, mas a simples possibilidade de a doença estar entre nós amedrontou todo mundo. A epidemia que matou mais de 4.000 na África e já fez vítimas na Espanha e nos Estados Unidos é muito mais do que uma crise de saúde. Ela representa um risco à segurança regional e global. A epidemia é uma ilustração clássica de alertas tantas vezes repetidos quando se fala de doenças infecciosas: elas não conhecem fronteiras e podem ser desestabilizadoras de sociedades, economias e estados.

O ebola também é emblemático por uma outra razão. Os governos só tomam conhecimento das crises de saúde além das suas fronteiras apenas quando sentem a sua própria segurança ameaçada. Em abril, a organização Médicos Médicos Sem Fronteiras MSF já havia alertado para a possível disseminação do vírus. Mas naquele momento a OMS minimizou as alegações, dizendo que o ebola não era nem uma epidemia, nem era “sem precedentes”. Agora diz que nem a organização nem especialistas em infectologia esperavam uma epidemia dessas proporções.A verdade é que enquanto só ameaçava a saúde dos africanos ocidentais, ninguém encarava a epidemia como um risco à segurança global.

A África Ocidental tem lidado como muitas crises de saúde ao longo de décadas, incluindo a malária, mortalidade materna e infantil e subnutrição. Historicamente, Serra Leoa, Libéria e Guiné “moram” na parte inferior de todas as tabelas de classificação de indicadores de saúde e de desenvolvimento. Na Serra Leoa, por exemplo, a expectativa de vida é de 45 anos, 30 a menos do que no Brasil. Lá tem uma das piores taxas de médico por habitante do mundo: 0,03 médicos por 1.000 habitantes.

No Brasil, é de 2 médicos para cada 1.000.Os críticos têm reclamado da lenta resposta da comunidade internacional ao ebola. Têm toda razão. Mas é preciso ir além de 2014 e tirar alguma lição disso tudo.

O ebola não é uma doença especialmente difícil de conter. Mas requer um sistema de saúde efetivo, coisa que esses países e muitos outros ao redor do mundo não conseguiram construir por conta própria. E também não receberam ajuda externa necessária para fazê-lo.

Os problemas a longo prazo do subdesenvolvimento e da desigualdade global que culminaram nessa epidemia raramente são reconhecidos ou abordados.Sim, precisamos lidar com o surto atual de ebola, mas também é necessário olhar para as suas causas.

É preciso, sim, derramar recursos e atenção para combater a epidemia na África. Mas, quando ela estiver contida, não podemos só ficar esperando a próxima crise.

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Cláudia Collucci é repórter especial da Folha, especializada na área da saúde. Mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós graduanda em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan 2010 e da Georgetown University 2011, onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros ‘Quero ser mãe’ e ‘Por que a gravidez não vem?” e coautora de ‘Experimentos e Experimentações’. Escreve às terças. Ebola é muito mais do que uma crise de saúde – 14/10/2014 – Claudia – Colunistas – Folha de S.Paulo.

Brasil – Agenda para Unidades de Conservação 2015: Apoie a Agenda mínima para as Unidades de Conservação do Brasil | 2015 – 2018

Brasil – Agenda para Unidades de Conservação 2015: Apoie a Agenda mínima para as Unidades de Conservação do Brasil | 2015 – 2018.

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Para apoiar esta plataforma e seu envio a candidatos às eleições deste ano, basta enviar mensagem a agendaucs2015@gmail.com, se possível com os seguintes dados:

Nome (ONG, empresa, instituição):

Endereço:

Contatos:

Site:

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Unidade de Conservação (UC) é um termo brasileiro utilizado para descrever o que em outras partes do mundo conceitua-se como ‘Áreas Protegidas’. São áreas voltadas a manutenção da biodiversidade e dos ciclos ecológicos e evolutivos, proteção de espécies ameaçadas, proteção dos meios de vida e a cultura de populações locais e promoção do desenvolvimento sustentável, além de proporcionar meios e incentivos para o desenvolvimento de pesquisas, educação ambiental e uso público.

As UCs promovem benefícios significativos ao bem-estar humano e ao desenvolvimento do país. A existência dessas áreas gera benefícios para toda a sociedade, por meio dos chamados serviços ambientais, entre os quais se destacam o fornecimento contínuo de água de boa qualidade, melhoria microclimática nas regiões com temperaturas extremas e excesso de poluição, polinização que garante a alta produtividade dos cultivos agrícolas, banco genético, proteção e conservação do solo, proteção de encostas diminuindo a gravidade dos desastres naturais, mitigação aos efeitos das mudanças climáticas, sanidade da produção agropecuária através da manutenção de predadores de pragas e parasitas, entre outros.

No atual contexto de alta degradação dos ambientes naturais e perda de espécies causadas pelo desmatamento, mudanças climáticas, grandes projetos de infraestrutura e aumento na exploração dos recursos naturais, temos a responsabilidade de fortalecer o Sistema Nacional de Unidades de Conservação de forma que ele seja incluído como pilar para o desenvolvimento social e econômico nos planos e políticas nacionais.

A construção do atual sistema de unidades de conservação do Brasil foi uma grande conquista para o país. Entretanto, o sistema representa um alicerce ainda fraco para suportar as pressões sobre a biodiversidade e para garantir a manutenção dos serviços ambientais essenciais para a sociedade. As limitações ligadas à extensão e representatividade do sistema, aliadas à progressiva deterioração das áreas protegidas em função de impactos externos inadequadamente enfrentados pelas agências de governo, com estrutura física e humana precárias.  Além disso, pressões de natureza econômica e social, demandam desenhos mais robustos e bem amparados cientificamente, com inserção no plano de desenvolvimento das diferentes esferas governamentais para a conservação da biodiversidade brasileira.

As UCs representam um patrimônio nacional de valor inestimável, entretanto, este valor somente será reconhecido efetivamente quando as UCs forem consideradas como agenda estratégica do país, instrumento de desenvolvimento e gestão territorial, e vetores de emprego e renda. Dessa forma, o presente documento apresenta uma série de objetivos e ações prioritárias que deveriam ser compromissadas pelos próximos candidatos aos pleitos executivos e parlamentares em 2014, quais sejam:

Objetivo:

Garantir a consolidação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, por meio da criação de 27 milhões de hectares[1]em novas unidades, incremento real do orçamento anual para custos recorrentes das UCs federais em pelo menos R$ 188 milhões (e esforços paralelos nas esferas estaduais) e regularização fundiária de pelo menos dois milhões de hectares[2] nos próximos quatro anos.

Ações Prioritárias

Criação de novas áreas & manutenção do Sistema:

  1. Garantir a manutenção da lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) ameaçada por propostas do Congresso Nacional que visam enfraquecer o sistema e a alterar os limites e grau de proteção das UCs[3];
  2. Garantir em 2015 a criação de UCs em avançado processo de discussão: Maués (AM), Guaricana (PR), Boqueirão da Onça e Toca da Boa Vista (BA), Serra do Gandarela nos seus limites originais (MG), Nascentes dos Gerais (MG), Campo dos Padres (SC) e ampliação da Resex Araí-Peroba (PA) e do Parque Nacional Marinho de Abrolhos (BA);
  3. Operacionalizar a Câmara Federal de Compensações Ambientais, garantindo maior agilidade e transparência no uso de recursos da compensação ambiental para regularização fundiária e gestão das UCs;
  4. Aprovar projeto de lei com incentivos às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs);

Sustentabilidade financeira:

  1. Aprovar e regulamentar políticas que garantem a valorização e sustentabilidade financeira das unidades de conservação:
  • Regulamentar os artigos 34, 47 e 48 da Lei do SNUC [4];
  • Aprimorar e aprovar a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais e a Lei que regulamenta o Imposto de Renda Ecológico;
  • Ampliar o ICMS Ecológico para todos os Estados brasileiros.
  1. Estruturar e promover as unidades de conservação como pólos de visitação [5]. Iniciar uma agenda faseada de mudança, com foco inicial nos 20% dos parques federais, estaduais e municipais com maior potencial de turismo e consequentemente, de maiores resultados econômicos, sociais e ambientais, garantindo oportunidades de interação da sociedade com a natureza, promoção de alternativas econômicas e geração de renda a partir do uso público;
  2. Incorporar as unidades de conservação como ativo e pólos dinamizadores dos planos de desenvolvimento do país, inserindo-as no planejamento de setores e ministérios-chave [6];

Modelos de gestão inovadores:

  1. Estabelecer Política Nacional e adotar novos modelos de gestão e parcerias incorporando novos agentes privados (empresariais ou organizações da sociedade civil), como alternativas importantes à consolidação das UCs, visando melhorar sua efetividade de gestão e ampliar o aproveitamento de seu potencial econômico;
  2. Testar modelos de gestão baseada em regulação feita pelo órgão responsável pelas UC e execução descentralizada, realizada em parceria com organizações empresariais ou da sociedade civil, criando oportunidades de integração com comunidades do entorno dessas áreas.

Estabelecimento de estudos, mecanismos e critérios:

  1. Estabelecer e orientar um processo de análise técnica transparente e consulta pública para avaliar a real relevância de redução, recategorização e desafetação de unidades de conservação. Nos casos extremos em que as alterações são inevitáveis, deve-se estabelecer um processo de compensação das perdas a partir da ampliação das UCs ou criação de novas, garantindo a representatividade do sistema e proteção de áreas com biodiversidade equivalente;
  2. Estabelecer mecanismos, critérios e princípios para orientar a compensação de reservas legais (Código Florestal) por áreas equivalentes em biodiversidade na regularização fundiária de unidades de conservação;
  3. Realizar e divulgar o monitoramento anual dos dados de desmatamento dos demais biomas brasileiros, assim como ocorre para a Amazônia;
  4. Promover a revisão das Áreas Prioritárias para a Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade de todos os biomas, orientando a definição de áreas prioritárias para a criação de UCs e compensação de reservas legais, garantindo a representatividade e conectividade do SNUC.

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      Assinam inicialmente esta plataforma:

       SOS Mata Atlântica
Conservação Internacional – Brasil
Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
Instituto Semeia
WWF-Brasil
Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola
Rede Nacional Pró Unidades de Conservação
Projeto Onçafari
CBEE – Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas
FREPESP – Federação das Reservas Ecológicas Particulares  do Estado de São Paulo
Instituto Estadual de Florestas do Amapá
Officio e Ambiente Ltda
Apave – Associação dos Protetores de Áreas Verdes de Curitiba e Região Metropolitana
UICN – União Internacional para Conservação da Natureza
IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas
Fundação Neotrópica do Brasil
Fundação Biodiversitas
SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental
OC2 – Observatório de Conservação Costeira
Associação Mar Brasil
IJA – Instituto Justiça Ambiental
Fundación Avina

[1] Em UCs em avançado processo de criação e relevantes para garantir a representatividade do SNUC

[2] Em áreas com alto grau de conflito, pressão de desmatamento ou alto potencial para visitação.

[3] Entre outros: PL 7.123/2010 propõe a abertura de estrada asfaltada através do Parna Iguaçu e modifica o SNUC; PL 3.682/2012 abre UCs de proteção integral à mineração; PECs 215/2000 (Câmara) e 72/2011 (Senado) vinculam a criação de UCs e TIs à aprovação do Legislativo.

[4] Para que UCs possam receber recursos financeiros a partir de doações diretas e advindos do abastecimento de água e geração de energia elétrica beneficiários de recursos protegidos pelas UCs

[5] Nas categorias onde a visitação é permitida

[6] Setores e ministérios relacionados à agricultura, minas e energia, educação e ciência, turismo e pesca.

Gays assassinados impunementes, até quando?

Gays assassinados impunementes, até quando? 

No dia 28 de setembro  Dilma recebeu das mãos de Eleonora Pereira, mãe do jovem Ricardo Pereira, assassinado por homofobia em Recife (PE), em 2010, a bandeira do movimento gay que o filho usou na campanha de Dilma em 2010, e uma camisa do instituto que leva o nome do jovem, que reúne mães que perderam filhos por violência motivada pela homofobia.

Ontem dia 2 de outubro, um rapaz foi assassinado na Bahia a pedradas por ser acusado  de ser gay. O grupo dos boçais era composto por jovens evangélicos.

 

Movimento LGBT reforça apoio a Dilma, que reafirma ser favorável à criminalização da homofobia