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Dívidas que não aparecerão na CPI da Petrobrás

A história oficial do petróleo no Brasil começou no ano de 1858, quando o Marquês de Olinda concedeu a José de Barros Pimentel o direito de extrair betume em terrenos situados nas margens do rio Marau, na Bahia. 
Em 1930, depois de vários poços perfurados sem sucesso em alguns estados brasileiros, o engenheiro agrônomo Manoel Inácio Bastos tomou conhecimento que os moradores de Lobato, na Bahia, usavam uma “lama preta”, oleosa, para iluminar suas residências. 

A partir desta informação, realizou várias pesquisas e coletas de amostras da lama oleosa, contudo não obteve êxito em chamar a atenção de pessoas influentes, sendo considerado “maníaco”.  Manoel Inácio Bastos não desistiu e, no ano de 1932, foi recebido pelo presidente Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o engenheiro agrônomo entregou ao presidente da Republica um relatório sobre a presença da substância em Lobato.

 

Oscar Cordeiro em Lobato - BA

Oscar Cordeiro em Lobato - BA

 

 

Oscar Cordeiro, baiano teimoso e baixinho 1,55m de altura, pobre, tinha uma fé cega, havia petróleo no Brasil.

Acreditava que havia óleo no subsolo do Recôncavo Baiano a trinta quilômetros de Salvador. Como todo pioneiro pagou caro pela sua inovação.

A data oficial da descoberta de petróleo em solo brasileiro é no dia 21 de janeiro de 1939.

Usando ferramentas e materiais artesanais, ele encharcou suas mãos de petróleo em 1933 quando perfurava o poço de Lobato.

Imediatamente Oscar Cordeiro pediu ao Ministério da agricultura em ofício ferramentas, brocas, sondas e recursos para continuar suas pesquisas.

Foi alijado do programa do governo e proibido de entrar em Lobato.

O Conselho Nacional de Petróleo reiniciou as perfurações do poço e Getúlio Vargas anunciou a descoberta de Petróleo no Brasil, ficando famosa a sua fotografia mostrando a mão suja de óleo negro.

Getúlio Vargas anunciando a "sua descoberta de petróleo" para o Brasil

Getúlio Vargas anunciando a "sua descoberta de petróleo" para o Brasil

 

 

 Oscar Cordeiro estava na miséria empregado na Bolsa de Mercadorias de Salvador quando conheceu um repórter cearense, igual a ele  pobre, baixinho e teimoso, e sempre investigava as matérias de forma não oficial. O repórter era Edmar Morel meu avô paterno. Colocou á disposição do repórter os seus arquivos e ofereceu o original de um ofício assinado pelo Ministro da Agricultura.

“Rio de Janeiro 14 de maio de 1934. Ilmo Srº Oscar Cordeiro.

Em resposta a sua carta à vossa carta do 8 corrente, informo-vos que a opinião do Geólogo Victor Oppenheim é a opinião dos técnicos do Departamento Nacional de Produção Mineral e pode ser resumida como está no ofício que vos dirigiu o Diretor deste departamento. Outra opinião não terá esse Ministério que não seja a de seus técnicos que estudaram suficientemente o assunto que vos interessa. “Atenciosas saudações, Juarez Távora.”

Victor Oppenheim era o geólogo da Standard Oil e certificara por escrito que o petróleo de Lobato era estranho ao local e que Oscar Cordeiro é que punha no poço. A reportagem denunciando essa fraude foi publicada na revista Panfleto.

Juarez Távora, ex revolucionário da coluna Prestes e um dos principais articuladores de Getúlio Vargas, enviou  ao diretor da revista uma longa correspondência afirmando que o Geólogo Srº Oppenheim se comportara lamentavelmente, que diante da descoberta de petróleo em 1933, o parecer do geólogo em 1934 era um produto de desídia, má fé ou incompetência, retardara o em cinco anos o início da exploração petrolífera no Brasil.

Teve como objetivo também desacreditar Oscar Cordeiro diante das autoridades brasileiras.

Para perfurar o poço de Lobato Oscar Cordeiro tomou dinheiro emprestado, empenhou sua casa e perdeu tudo.

Oppenheim não foi demitido do Ministério da Agricultura.

Todos os jornalistas que escreviam sobre o petróleo nacional eram acusados de serem comunistas.

Vinte anos depois inexplicavelmente a Petrobrás contratou o geólogo norte americano Walter Link, que sempre esteve a serviço da Standard Oil.

Link declarou publicamente que não havia petróleo no Brasil.

Nem o governo e nem a Petrobrás fizeram uma revisão do papel histórico que Oscar Cordeiro, Monteiro Lobato, José Duarte, Manoel Inácio Bastos, diversos jornalistas e militantes perseguidos tiveram, merecem pelo menos terem seus nomes cravados nas novas plataformas, embora no caso de Oscar Cordeiro coubesse até indenização ou uma premiação a seus familiares.

Dos primeiros poços aos dias de hoje a Petrobras desenvolveu tecnologia de exploração em águas profundas e ultras profundas – o Brasil está entre os poucos países que dominam todo o ciclo de perfuração submarina. Os argumentos contrários ao desenvolvimento e nacionalização de nossos recursos minerais perduram na boca de parlamentares até hoje, renovando-se apenas o verniz dos caras de pau.

 Edmar Morel, Histórias de um repórter - Editora Record

Edmar Morel, Histórias de um repórter – Editora Record